...AINDA LEMBRO
Lembro-me dos obstáculos, inda sinto os espinhos furando meus pés...
Lembro-me da alegria do trabalho aos 10, da angustia do dever aos 15...
Lembro-me das paixões impossíveis, do desejo punido...
Lembro-me dos amigos “fazidos” das labutas vividas...
Lembro-me do café da manha, do olhar do meu pai...
Lembro-me da festa da fome, da fome, da fome...
Lembro-me do telhado envelhecido, da parede apodrecida...
Lembro-me do quarto em frente ao outro, da cama ao lado da outra...
Lembro-me da notas azuis, dos fins de estágios...
Lembro-me dá bola de meia, da bola de saco, da bola de coco...
Lembro-me das festas de junho, da farra do vizinho...
Lembro-me da porta fechada, do lado de cá...
Lembro-me da fita K7, do velho gravador...
Lembro-me do carro de mão, da banana, das moedas...
Lembro-me do encanto do ginásio, dos rostos “flashes”...
Lembro-me das seis cordas, das três notas...
Lembro-me da descoberta, do ciúme do pai...
Lembro-me das carteiras, das cadernetas...
Lembro-me da pouca perda, da muita dor...
Lembro-me das várias médias, do nunca agora...
Lembro-me de outra mão, marcando por mim...
Lembro-me das madrugadas, da boca gelada...
Lembro-me dos meus amigos, que são amigos, mas não são...
Lembro-me do amor estranho, amor sem mancha...
Lembro-me da primeira vez, do que desejei e do que consegui...
Lembro-me das siglas e iniciais, da identidade...
Lembro-me do que queria, do que eu tenho...
Lembro-me do meu passado, do mais ao menos...
Lembro-me do amanhã, que sei como foi, e não pude mudar...
Lembro-me do alvo, do erro...
Lembro-me do agora e já nem lembro mais.