segunda-feira, 9 de maio de 2011

...AINDA LEMBRO

Lembro-me dos obstáculos, inda sinto os espinhos furando meus pés...

Lembro-me da alegria do trabalho aos 10, da angustia do dever aos 15...

Lembro-me das paixões impossíveis, do desejo punido...

Lembro-me dos amigos “fazidos” das labutas vividas...

Lembro-me do café da manha, do olhar do meu pai...

Lembro-me da festa da fome, da fome, da fome...

Lembro-me do telhado envelhecido, da parede apodrecida...

Lembro-me do quarto em frente ao outro, da cama ao lado da outra...

Lembro-me da notas azuis, dos fins de estágios...

Lembro-me dá bola de meia, da bola de saco, da bola de coco...

Lembro-me das festas de junho, da farra do vizinho...

Lembro-me da porta fechada, do lado de cá...

Lembro-me da fita K7, do velho gravador...

Lembro-me do carro de mão, da banana, das moedas...

Lembro-me do encanto do ginásio, dos rostos “flashes”...

Lembro-me das seis cordas, das três notas...

Lembro-me da descoberta, do ciúme do pai...

Lembro-me das carteiras, das cadernetas...

Lembro-me da pouca perda, da muita dor...

Lembro-me das várias médias, do nunca agora...

Lembro-me de outra mão, marcando por mim...

Lembro-me das madrugadas, da boca gelada...

Lembro-me dos meus amigos, que são amigos, mas não são...

Lembro-me do amor estranho, amor sem mancha...

Lembro-me da primeira vez, do que desejei e do que consegui...

Lembro-me das siglas e iniciais, da identidade...

Lembro-me do que queria, do que eu tenho...

Lembro-me do meu passado, do mais ao menos...

Lembro-me do amanhã, que sei como foi, e não pude mudar...

Lembro-me do alvo, do erro...

Lembro-me do agora e já nem lembro mais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário